Análise do Trisquel GNU/Linux 4.0

20 de setembro de 2010

Dia 18 de setembro, Dia do Software Livre, foi lançado o Trisquel GNU/Linux 4.0 – Codinome Taranis. Uma distribuição espanhola 100% comprometida com o software livre e que consta na relação das poucas distribuições recomendadas pela Free Software Foundation.

A proposta do pessoal do Trisquel é criar uma distribuição livre para usuários domésticos, pequenas empresas e centros educativos. Para alcançar esse objetivo escolheram como base a distribuição Ubuntu, retirando tudo aquilo que não fosse software livre além de fazer pequenos ajustes e criar uma identidade visual própria.

O resultado é surpreendentemente positivo. A escolha do Ubuntu como base garantiu a estabilidade e a facilidade de uso conhecidas do Ubuntu e a sua opção integral pelo software livre cria um diferencial para aqueles que se identificam com a filosofia da Free Software Foundation.

Não vou entrar em detalhes sobre o processo de instalação pois é o mesmo do Ubuntu 10.04, com todas as suas vantagens e simplicidade (o único porém é que o sistema inicia o livecd em espanhol ou inglês, você escolhe, e depois, durante a instalação, podes escolher o nosso português).

A primeira coisa que chama a atenção ao bater os olhos no Trisquel é que o mesmo é baseado no Ubuntu mas possui identidade própria, o que inclui a seleção de programas padrão e o visual.

Trisquel 4.0 LTS "Taranis"

Trisquel 4.0 LTS "Taranis"

A instalação padrão do Trisquel vem com o Gnome 2.30.2, um bonito tema escuro mas, diferentemente do Ubuntu, opta por utilizar apenas uma barra (como no Windows) ao invés de duas.

Essas mudanças conferem ao Trisquel uma identidade própria mas podem ser mudadas por usuários que se sentirem mais cômodos ao padrão com as duas barras.

A seleção de pacotes instalados por padrão é muito semelhante àquela do Ubuntu. Vamos as diferenças (que vou abordar pelas divisões constantes no menu de aplicativos):

Internet: No lugar do Firefox entra o Abrowser. Que é o Firefox mas que não recomenda extensões ou plugins não-livres além de substituir os trabalhos artísticos não-livres no programa. Temos ainda um agregador para leitura de notícias online, Liferea, e um cliente de IRC, Xchat, instalados por padrão.

Escritório: No setor Escritório não há novidades, com o destaque para a famosa suíte Office OpenOffice.org e o, entre outras coisas, cliente de e-mail, Evolution.

Gráficos: Na setor de aplicativos gráficos, vemos que houve a preocupação em não colocar na instalação padrão do Trisquel aplicativos com Mono. Assim o F-Spot sai de cena e entra o leve gThumb para visualizar fotos e o Shotwell para gerenciar fotos. Vale mencionar a feliz opção por manter o excelente GIMP na instalação padrão.

Multimidia: O player de vídeo padrão, como no Ubuntu, é o Totem. Mas pode ser instalado o excelente VLC dos repositórios.

Para organizar e reproduzir sua coleção de músicas, no lugar do Rhythmbox, temos o Exaile – que foi inspirado no aclamado Amarok 1.x.

Também é importante mencionar a excelente inclusão do programa Oggconvert, que possibilita converter música e vídeos para formatos abertos/livres.

Por fim, devido a distribuição ser europeia e não estadunidense não há dificuldades em reproduzir codecs patenteados como o mp3 pois já vem habilitado por padrão o suporte a reprodução de mp3 e os formatos de vídeos mais comuns através de implementações livres.

Jogos: Aqui temos xadrez, campo-minado, paciência, etc … e a ausência de um joguinho Mono que temos no Ubuntu o gbrainy.

Acessórios: Aqui vale mencionar a substituição do Tomboy pelo Gnote, o que juntamente com a remoção do gbrainy e a substituição do F-Spot, elimina o Mono da instalação por padrão (mas para aqueles que quiserem … estão nos repositórios, já que são software livre).

Vale mencionar que o kernel Linux utilizado é o Linux-libre, que é uma versão modificada e 100% livre do kernel Linux em que é removido todo o software que não inclui código fonte, assim como o código fonte ofuscado ou que esteja publicado mediante licenças proprietárias.

Aparte os programas instalados por padrão, o repositório (hospedado em servidores próprios) possui basicamente os mesmos programas daqueles do Ubuntu exceto aqueles que não estejam de acordo com a filosofia do software livre – além de trazer versões atualizadas de aplicativos livres em constante desenvolvimento que visam substituir alternativas proprietárias difundidas no mundo GNU/Linux, como o Gnash.

O suporte a nossa língua, apesar do site mencionar que são suportadas oficialmente apenas algumas línguas como o espanhol e o inglês, é perfeito.

A distribuição obviamente não é perfeita, como algumas de suas limitações, além daquelas inerentes ao Ubuntu e seus derivados, temos o atraso em relação ao próprio Ubuntu para o lançamento de suas versões. O Trisquel lançado no dia 18 de setembro é baseado, em linhas gerais, no Ubuntu 10.04 (lançado em abril).

Fora isso, no seu ponto forte temos o que de alguma forma pode ser uma fraqueza. Sua escolha pela filosofia do software livre acima de uma posição estritamente pragmática é o que atrai seus usuários mas trás alguns inconvenientes quando as soluções livres não estão a altura das proprietárias. Um exemplo é visualizar vídeos baseados em flash navegando pela internet – o gnash ainda não está a altura do serviço, abrir arquivos .rar versão 3 ou superior – para o qual não existe solução livre ou ainda alguns drivers que foram excluídos do kernel por dependerem de blobs binários.

Dado isso alguém poderia perguntar se vale a pena utilizar o Trisquel GNU/Linux, minha resposta é sim.

Das distribuições recomendadas pela Free Software Foundation, é de longe a mais bem acabada, a que possui um tempo na praça (existe a mais de três anos – não é uma daquelas que surge na segunda e na sexta-feira sumiu) e é muito funcional. A gNewSense, a outra distribuição recomenda pela FSF que é lembrada por muitos, é menos polida e não vê um lançamento a 12 meses.

Alguém poderia dizer que ela é irrelevante porque temos o Ubuntu, mas não é o caso. O Ubuntu está mais dentro da filosofia open source, endossando o uso de software proprietário quando convém (drivers, flash da Adobe, etc … – inclusive talvez surja uma loja de aplicativos que comercialize programas proprietários na versão 10.10).

Software livre, como eu entendo, e creio que o pessoal do Trisquel também … não é ter variedade de consumo de programas e licenças proprietárias e livres. É defender aquilo que em termos de software é o melhor para a sociedade. O software proprietário é anti-social pois é um conhecimento usado para subjugar as pessoas, cria uma relação de dominação entre quem fez o software e os usuários. O conhecimento deve servir a sociedade, todos devem poder modificar o programa e colaborar. Colocar opção por software proprietário na distribuição seria incentivar a existência do software anti-social.

Creio que é por esse motivo que o pessoal do Trisquel GNU/Linux é tão ‘chato’ em manter programas proprietários longe de seu quintal e também é por isso que possuem uma distribuição com uma razão de ser diferente daquela do Ubuntu.

Para aqueles que tem interesse na filosofia do software livre, o Trisquel, além de ser bem acabado e funcional, é pedagógico. Pois quando utilizamos um sistema que mescla código livre e fechado, muitas vezes não temos consciência de se tal tecnologia é livre ou fechada. E com isso deixamos de entender as limitações que nos impõem tecnologias proprietárias e padrões fechados – e consequentemente ignoramos as tentativas de substitui-los.

Quando passei a usar Trisquel é que descobri que Times New Roman e outras fontes Microsoft apesar de poderem ser baixadas e usadas gratuitamente não são livres, tem um série de restrições que as impedem de serem modificadas para serem usadas em fontes futuras assim como proíbe que sejam incluídas em outro produto; também descobri que não existem soluções livres para abrir arquivos .rar versão 3 ou superior, entre outras coisas.

Tomando consciência dessas coisas é que passei a usar o formato de compressão 7zip – que é tão bom quanto o rar mas aberto -, que entendi a razão da existência da família de fontes Liberation, etc …

Assim, recomendo para aqueles que se identificam com o software livre que deem uma chance ao Trisquel GNU/Linux, mesmo se não esteja disposto a usar como seu sistema principal, ele pode ser muito instrutivo sobre a situação atual do software livre e o que podemos substituir de padrões proprietários/ fechados facilmente mas não tínhamos nem ideia de que não eram livres/abertos (como o maldito rar versão 3 ou superior).

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Escritório livre [parte 5]: Dica: Como inserir numeração de páginas no OpenOffice/BrOffice

17 de setembro de 2010

Para inserir numeração de páginas no OpenOffice/BrOffice

Deve-se, antes, inserir o rodapé (ou cabeçalho, caso queira a numeração na parte superior da página), clicando no menu Inserir –> Cabeçalho (ou rodapé) –> Padrão. Depois, clique dentro do cabeçalho (ou rodapé), deixando o cursor nesse local. Após, clique no menu Inserir –> CamposNúmero da página. Por fim, pode-se escolher o alinhamento desejado (esquerda, centralizado ou à direita).

Escritório livre [parte 4]: Melhorando a experiência de uso do OpenOffice/BrOffice [Dicionário de sinônimos]

11 de setembro de 2010

Hoje, vamos instalar um dicionário de sinônimos.


Imagine você digitando um texto, e quando percebeu, havia utilizado diversas vezes a mesma palavra. A partir daí você fica pensando por qual palavra trocar, e nada vem à cabeça. Chato, não é? É para isso que existe o DicSin, um dicionário de sinônimos para você ter um texto rico em palavras, sem repetições chatas e perda de cabelos e/ou unhas.

Instalando o DicSin
1- Baixe a extensão do DicSin em: http://www.dicsin.com.br/ (aba Download)
2- Em seguida: Com o OpenOffice/BrOffice aberto vá até o menu Ferramentas->Gerenciador de Extensão, depois clique no botão Adicionar, localize o arquivo em seu computador e aperte em abrir.

Usando o DicSin
Selecione a palavra com o mouse, vá até o menu Ferramentas->Idioma, depois clique no botão Dicionário de Sinônimos.

Um excelente tutorial para quem usa muito o OpenOffice/BrOffice e quer deixá-lo perfeito: Como escrever textos perfeitos no BrOffice.org (http://www.guiadohardware.net/tutoriais/textos-perfeitos-broffice/).

Escritório livre [parte 3]: Melhorando a experiência de uso do OpenOffice/BrOffice [Corretor ortográfico e corretor gramatical]

3 de setembro de 2010

Antes de mais nada, caso você use Windows … podes baixar e instalar o BrOffice do site: http://www.broffice.org/ . Caso use GNU/Linux … ele já vem instalado no Ubuntu e em qualquer outra distribuição para usuários desktop.

Hoje, vamos instalar o melhor corretor ortográfico e o melhor corretor gramatical no mundo livre para o português brasileiro.

Dicionário Aurélio

Dicionário Aurélio

Antes, uma distinção entre ambos os tipos de corretores:

corretor ortográfico: detecta erros de grafia nas palavras, por exemplo, a palavra “sugeito” com a letra “g”, em vez de “sujeito” com a letra “j”. Além disso, sugere uma medida corretiva para a solução do erro, que é a substituição da palavra grafada incorretamente pela palavra grafada corretamente.

corretor gramatical: detecta erros nas relações entre as palavras, por exemplo, na sentença “Os menino estudam demais.”, o corretor gramatical detecta o erro na concordância entre o artigo “os” e o substantivo “menino”. E também sugere uma medida corretiva, como a substituição da palavra “menino” pela mesma palavra flexionada no plural, que é “meninos”.

No OO (OpenOffice) podemos acrescentar funcionalidades instalando arquivos chamados extensões (extensão .oxt). É dessa forma que iremos instalar os corretores ortográfico e gramatical.

– Instalando o melhor corretor ortográfico (Vero – Verificador Ortográfico):
Tem para o novo acordo ortográfico e para o velho. (dica: também podes baixar para o firefox e nunca mais errar ortografia nos e-mails.)
1- Baixe a extensão do Vero em: http://broffice.org/verortografico/baixar.
2- Em seguida: Com o OO aberto vá até o menu Ferramentas->Gerenciador de Extensão, depois clique no botão Adicionar, localize o arquivo em seu computador e aperte em abrir.

– Instalando o melhor corretor gramatical (CoGrOO – Corretor Gramatical acoplável ao OpenOffice.org):
1- Baixe a extensão do CoGrOO em: http://cogroo.sourceforge.net/download/current.html (ou clique direto aqui http://extensions.services.openoffice.org/download/2453 para a ultima versão no momento que escrevi esse post).
2- Em seguida: Com o OO aberto vá até o menu Ferramentas->Gerenciador de Extensão, depois clique no botão Adicionar, localize o arquivo em seu computador e aperte em abrir.
Ah! Vale lembrar que para rodar o CoGrOO é necessário ter um Java Runtime Environment instalado, a partir da versão 1.5.0. Ele também deve estar ativado – para verificar isso basta ir em Ferramentas > Opções > BrOffice.org/OpenOffice.org > Java, habilitar a opção “Utilizar um JRE…” e marcar a versão mais recente do JRE:

OPCIONAL: Para ter certeza que está tudo funcionando, vamos certificar que os dicionários e suas atividades estão realmente marcadas para funcionar. Mas antes vá em Ferramentas > Opções > Configurações de idioma > Idiomas, e certifique-se que o Português (Brasil) está ativo.
E logo em seguida, aproveite e dê um pulo para baixo, em “Recursos para redação”, e marque todas as opções em “Módulos de idioma disponíveis”, e também em “Dicionários definidos pelo usuário”.

Um excelente tutorial para quem usa muito o OpenOffice/BrOffice e quer deixá-lo perfeito: Como escrever textos perfeitos no BrOffice.org (http://www.guiadohardware.net/tutoriais/textos-perfeitos-broffice/).

Ah! Esse post foi baseado em outros que tem pela internet, incluindo o citado acima.

Escritório livre [parte 2]: Enfim liberdade: OpenOffice (BrOffice) e odf.

30 de agosto de 2010

Eis que atualmente temos opções livres para escritório. A mais famosa e avançada é o OpenOffice (que no Brasil tem o nome de BrOffice porque o nome OpenOffice já estava registrado por outros).

OpenOffice.org

OpenOffice.org

O OpenOffice não tem nenhum dos graves problemas que a natureza proprietária do Office da Microsoft impõe: não trás dependência tecnológica, não impõe restrições; pode ser usado, modificado, adaptado livremente. E ainda por cima … é grátis. Ah! Claro … por ser livre ele pode ser portado para diferentes sistemas operacionais … e por isso podemos usar tanto no Windows, quanto no GNU/Linux e etc …
(E pensar que há professores da minha universidade que pedem que eu tenha algumas centenas de reais para comprar um Windows e o Office da Microsoft para entregar trabalhos! E ainda por cima não conhecem as características anti-sociais de restringir a produção e reprodução do conhecimento de soluções Microsoft … que vai contra o sentido de ser da universidade).
Com relação aos formatos Microsoft, como o .doc, apesar de todas as barreiras levantadas pela empresa do Windows … o OpenOffice consegue abrir muito bem esses arquivos, sendo muito raro problemas de formatação ou perca de dados.
Mas para realmente nos livrarmos das amarras da Microsoft … precisaríamos de um formato de documentos Office aberto! E ele existe! Se chama Open Document Format (ODF).
A extensão muda de acordo com o tipo de arquivo: para textos é o .odt (OpenDocument Text) – a alternativa ao .doc; para planilhas é o .ods (OpenDocument Spreadsheet) e para apresentações é o .odp (OpenDocument Presentation).
Esses formatos ao contrário do .doc (Word) e do .xls (Excel), tem uma tecnologia aberta, todos sabem como funciona, e o arquivo não é um formato binário obscuro podendo ser editado (com um pouco de trabalho) até num bloco de notas!
Assim, qualquer um que escreva um programa Office pode adicionar o suporte ao ODF com facilidade. Inclusive a Microsoft! E sabe o que é interessante? A Microsoft optou por boicotar o formato e não suportá-lo, tentando utilizar de seu monopólio para impor seus formatos fechados.
O melhor é que, para o pesadelo da Microsoft, tanto o OpenOffice cresceu como o ODF e hoje o ODF é um padrão internacional (ISO) adotado por vários governos … inclusive é o padrão adotado pela ABNT!
A Microsoft teve de correr atrás e para seus produtos Office velhos (Office 2007) ela oferece atualização para abrir ODF e o Office 2010 também suporta o formato.
Quando a Microsoft viu seu reino ameaçado pelos formatos livres (preferência de cada vez mais governos e empresas), também criou um formato que chama de livre, o Office Open XML (como o docx, etc … dos novos Microsoft Office). Entretanto, esse formato apesar de mais aberto que os antigos da empresa escondem várias armadilhas para manter a dependência tecnológica da Microsoft.
Nos próximos posts vamos dar dicas para melhorar a experiência de uso do OpenOffice.

Escritório livre [parte 1]: A maldição proprietária do Microsoft Office e seus .doc, etc ….

20 de agosto de 2010

Inicio hoje uma coletânea de posts sobre Office livre [um toda semana]. O objetivo é fazer o leitor entender um pouco a situação atual dos programas Office, conscientizá-lo sobre a importância de usar ferramentas de Office livres e dar dicas para melhorar sua experiência com elas.

O post de hoje é sobre a muito utilizada suíte de escritório Microsoft Office.

Microsoft Word

Microsoft Word

Bom, todos conhecem o Microsoft Office. O Office proprietário da Microsoft. Para alguns a questão do software proprietário pode ser resolvida com a cópia pirata pois essa supostamente elimina as barreiras ao acesso a tais programas e por isso os democratiza. Isso não é verdade, pois o usuário ainda permanece refém da produtora do software, dado que não pode modificar o programa e tem de aceitar tudo que ela impor goela abaixo (coisas como dependência tecnológica, restrições quanto à adaptações ao programa, …).
O Microsoft Office é um bom exemplo. A Microsoft usou e abusou de práticas monopolistas para tornar a todos refém de seus programas. Até a pouco tempo era quase impossível trocar documentos de Office com outras pessoas se você não tivesse o Microsoft Office. E se você quisesse usar um sistema operacional em que a Microsoft não disponibiliza seu Office (como o GNU/Linux) … estava ferrado.
Estávamos amarrados a uma dependência tecnológica brutal, restrições e proibições de adaptação do programa a diferentes realidades, impossibilidade de ter o programa funcionando em outros sistemas … tudo isso fora o preço …
E você pergunta cadê os Offices concorrentes?
Pois bem, o formato dos arquivos do Office da Microsoft (como o .doc) são propositalmente completamente fechados, ninguém sabe muito bem como funcionam [hoje existe um formato novo, Office Open XML, como o .docx, que é menos fechado mas é uma armadilha da Microsoft que situarei brevemente no próximo post]. O resultado é que graças a essa tática da Microsoft é muito difícil dar suporte a extensões Microsoft Office como .docs em outros programas. Quando o suporte existia … era precário, sendo comum que os documentos abrissem com a formatação de texto, por exemplo, com vários erros. As pessoas ao invés de colocar a culpa na Microsoft … amaldiçoavam os outros Offices por não abrirem formatos que a Microsoft propositalmente torna difíceis de serem suportados.
Mas o monopólio e controle da Microsoft sobre ferramentas Office, tão importantes na atualidade, estão sendo ameaçados por soluções livres. No próximo post veremos que ameaças são essas.

Acessando os dados do Windows no Ubuntu GNU/ Linux

16 de agosto de 2010

As partições (local onde ficam guardados os dados no disco rígido) dos Windows recentes são do tipo NTFS. O Ubuntu reconhece elas, mas para você acessar os dados nelas precisa habilitar-las através do menu “Locais” todas as vezes que inicia o sistema … isso pode ser muito chato. Ainda mais se alguns programas de música ou torrent iniciam automaticamente e acusam erro por não encontrar os arquivos nessas partições do Windows.
Abaixo segue dica para as partições NTFS serem montadas (iniciadas) automaticamente desde o início.
(O vídeo não foi feito por mim)

Instalando suporte a 7z no Ubuntu 10.04

13 de agosto de 2010

Pessoal, quando escrevi o post Não prenda seus arquivos num .RAR não expliquei como adicionar o suporte a 7z no Ubuntu porque não uso Ubuntu e pensava que o suporte já vinha instalado.

Segue explicação passo-a-passo:

1- Abra o gerenciador de pacotes Synaptic (é uma ferramenta para instalar software):

2- Agora você deve habilitar o repositório de “Programa de Código Aberto mantido pela Comunidade (universe)”. Assim você adiciona mais um local de onde o Ubuntu baixa e instala programas e aumenta a quantidade de programas instaláveis (incluindo o suporte a 7z).


3- Atualize o banco de dados sobre os software disponíveis (para baixar a lista do novo repositório de software habilitado).

4- Na caixa “Pesquisa rápida” digite p7zip (o software que permite trabalhar com o formato 7z), dê dois clicks no programa “p7zip-full” para marcá-lo para instalação e por fim pressione “Aplicar” para instalar.


5- Para compactar uma pasta ou arquivo em 7z:
– clique com o botão direito do mouse sobre ele, clique na opção “Comprimir”. depois é só selecionar a extensão 7z.

Exemplos de documentos norte-americanos da guerra no Afeganistão que vazaram.

5 de agosto de 2010

Pessoal, o Wikileaks tá fazendo uma revolução … as pessoas que tem contato com documentos confidenciais de governos podem publicar lá e dificilmente ser rastreadas.
Uma ferramenta incrível para forçar “transparência” quando a máquina pública nega informações para aqueles que deveriam ser sua prioridade: os cidadãos. E também pode denunciar atrocidades e massacres planejados pelo Estado, possibilitando que saiam do silêncio crimes de outra forma para sempre ocultos.
Foram publicados lá uns 90.000 documentos militares norte-americanos da guerra no Afeganistão.
Alguns professores de salários polpudos da academia podem agora fazer algo que preste e analisar como funciona a máquina de matar mais eficiente do mundo e também denunciar as atrocidades.
O site é muito fácil de pesquisar.
Aqui segue alguns relatórios de soldados que achei interessante:

Documento sobre o assassinato de 22 pessoas classificadas como inimigos, 1 civil (mãe) assassinada e 2 civis (filhos) feridos:
http://wardiary.wikileaks.org/afg/event/2009/12/AFG20091227n2465.html
Documento de um homem bomba que matou consigo 7 civis, 24 soldados afegãos pró eua e 4 soldados da força de ocupação.
http://wardiary.wikileaks.org/afg/event/2007/06/AFG20070617n810.html
Texto sobre a disponibilização desses documentos: http://www.resistir.info/afeganistao/guerra_desmascarada.html

Prisioneiro afegão capturado pelo U.S Army na província de Helmand.

Prisioneiro afegão capturado pelo U.S Army na província de Helmand.

Entenda a Estrutura de pastas do Linux

4 de agosto de 2010

Tradução livre do artigo “How-to: Directory Structure” da revista Full Circle – 1ª edição.

Um dos pontos iniciais de maior problema que novos usuários de Linux têm de superar é onde as coisas ficam. A estrutura de diretórios do Linux parece ímpar no começo, especialmente para usuários de Windows.

Aqui está uma lista resumida dos principais diretórios e para que servem.

/ : (barra inclinada para direita) Este é o diretório raiz. A nave-mãe. O principal e único diretório de topo para todo seu computador.Tudo, e eu digo TUDO MESMO começa aqui. Quando você digita ‘/home’ o que você está realmente dizendo é “comece em / e então vá para o diretório home”.

/root : Aqui é onde fica o usuário administrador. O usuário administrador é o deus do seu sistema. O “Root” pode fazer qualquer coisa, até mesmo incluir ou remover todo o seu sistema de arquivos. Então, seja cuidadoso usando o administrador (root).

/bin : Aqui é onde seus utilitários padrão de Linux (programas de leitura) ficam – coisas tais como “ls” e “vi” e “more”. Geralmente esse diretório está incluído em sua estrutura. O que isso significa é que se você digitar “ls”, ‘/bin’ é um dos lugares em que o seu shell (programa que conecta e interpreta comandos) vai procurar para ver se “ls” significa alguma coisa.

/etc : Aqui é onde os arquivos de configuração administrativa e de sistema ficam. Por exemplo, se você tem o samba instalado, e você quer mudar os arquivos de configuração do samba, você deve encontrá-los em ‘/etc/samba’.

/dev : Aqui é onde ficam os arquivos que controlam os periféricos. Comunicando com uma impressora? Seu computador está fazendo isto daqui. O mesmo vale para dispositivos de disco e usb e outras coisas do gênero.

/home : Aqui é onde seus dados são guardados. Arquivos de configuraçãos específicos de cada usuário, sua pasta de Área de trabalho (Desktop) (o que faz de sua área de trabalho o que ela realmente é), e qualquer dado sobre seu usuário. Cada usuário terá sua própria pasta ‘/home/usuário’, com exceção do usuário administrador (root).

/tmp : Esta é a pasta temporária. Pense nela como um diretório de rascunho para seu sistema Linux. Arquivos que não serão mais usados pelos programas uma vez que já foram usados uma ou duas vezes são colocados aqui. Muitos sistemas Linux são configurados para automaticamente limpar a pasta ‘/tmp’ em certos intervalos, então não coloque nada que você queira guardar aqui.

/usr : Aqui é onde você encontrará utilidades extras que não se encaixam em ‘/bin’ ou ‘/etc’. Coisas como jogos, utilidades de impressora, e outras mais. ‘/usr’ é dividida em seções como ‘/usr/bin’ para programas, ‘/usr/share’ para arquivos compartilhados como sons ou ícones, ‘/usr/lib’ para bibliotecas que não podem rodar diretamente mas são essenciais para rodar outros programas. Seu gerenciador de pacotes cuida das coisas em ‘/usr’ para você.

Há alguns outros diretórios que você poderá achar:

/opt : Aqui é onde coisas opcionais são colocadas. Experimentando a última versão beta do Firefox? Instale em ‘/opt’ onde você pode deletá-lo sem afetar outras configurações. Programas aqui usualmente ficam dentro de uma única pasta que contem todos os seus dados, bibliotecas, etc.

/usr/local : Aqui é onde a maioria dos softwares manualmente instalados (isto é, fora do seu gerenciador de pacotes) ficam. Tem a mesma estrutura que ‘/usr’. É uma boa idéia deixar ‘/usr’ para seu gerenciador de pacotes e colocar quaisquer scripts personalizados em ‘/usr/local’, já que nada importante normalmente fica em ‘/usr/local’.

/media : Algumas distribuições usam este diretório para montar coisas tais como discos usb, drives de cd ou dvd e outros sistemas de arquivos.

Agora você pode se considerar um pouco mais perto de um usuário Linux experiente. Esses diretórios, enquanto no começo possam parecer um pouco confusos, vão se tornar naturais para você após um pouco de uso.

Retirado do blog: http://freesamuelbh.blogspot.com/2007/06/estrutura-de-pastas-do-linux.html